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domingo, 20 de novembro de 2011

É Caro Ler ?


Hoje vou brincar um pouco com números, fazendo continhas bem mequetrefes para ver como está o acesso dos brasileiros à leitura. O salário mínimo por aqui gira em torno de R$550,00 e consta que mais de 50% da população sobrevive com esta remuneração, o salário mínimo americano seria de U$7,5 por hora o que daria cerca de U$1.200,00 por mês, mas o índice de pobreza lá é U$20.000,00 ano, o que dá U$1.666,00 dólares ao mês, consta que cerca de 13% da população ganha nesta faixa. Assim, convertendo em reais, o salário mínimo americano seria de R$2.750,00. Este será nosso ponto de comparação para ver quanto pesa o livro no salário mínimo americano ( que apenas 13% recebem), contra o mínimo brasileiro que é mais da metade da população, eu sei, é meio grosseiro, mas já dá uma boa idéia, se erramos estamos sendo condescendentes, uma vez que o salário nos EUA é muito maior pois apenas 13% ganham no limite estabelecido de pobreza.

Nos EUA encontra-se boa seleção de livros em papel por U$6,00, acha-se livros mais baratos, mas para comparação acredito que está bom; também encontra-se a maioria dos livros a U$12,00, há mais caros, mas grande parte da literatura mais popular estará nesta faixa. Se considerarmos o preço do livro em relação ao salário mínimo, o livro que para o americano custa U$6,00 (R$10,00), para o brasileiro deveria custar R$2,00 para termos o mesmo acesso à literatura; o livro de U$12,00(R$20,00) custaria a nós R$4,00. Lá se estima que 70% da população seja leitora, aqui estima-se que apenas 25% saibam ler com fluência para encarar um livro.

Quem tem maior acesso ao livro, americanos ou brasileiros? Podemos ainda brincar um pouco mais com os números, tomando a mesma comparação, há livros “baratos” no Brasil por R$30,00, muito poucos abaixo disto, com a maioria da seleção girando em torno dos R$50,00. Gritem se eu estiver enganado e minha livraria for careira, mas é difícil fugir destes preços. Pela mesma proporção, o livro de R$30,00 deveria custar ao americano U$90,00(R$150,00) para que ele tenha o mesmo acesso que nós à literatura, e o livro de R$50,00 custaria a bagatela de U$150,00(R$250,00). Outra coisa interessante é que aqui livro não tem imposto, como explicar?

Estão espantados? Revoltados? Calma, tem mais um pouco, eles compram um e-reader por U$80,00(R$132,00); para o e-reader ter o mesmo acesso no Brasil, novamente tomando como base o salário mínimo, deveria custar R$27,00. O mesmo e-reader importado pelo brasileiro custa cerca de R$400,00, graças ao imposto criminoso cobrado sobre o aparelho. Para os americanos terem proporcionalmente o mesmo acesso ao e-reader que importamos de sua terra, o aparelho deveria custar U$1.210,00(R$2000,00)!

Como seria o acesso dos brasileiros à literatura com os livros custando entre R$2,00 e R$4,00? Teríamos mais leitores? Proporcionalmente é isto que paga o americano. O que nossos colegas do norte achariam de pagar U$90 a U$150 nos seus livros? Seria um preço justo ou estariam sendo roubados? Ainda devemos levar em conta que eles têm livros circulando a mais de duzentos anos antes de nós e que a literatura lá já foi muito mais acessível do que é hoje.

Não adianta apenas educar, letrar, a fluência da leitura só vem com o exercício da mesma, e para isto precisamos livros. Com esta distorção o Brasil continuará a ser um país de iletrados; o e-reader é a primeira oportunidade real de inverter esta equação nefasta. Quem coloca barreiras em seu caminho é por querer um país de ignorantes.

Alex


Fonte: Kindle Blog Brasil - Novembro 2011


http://kindle.blog.br/2011_11_01_archive.html

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